Salto do metrô e rumo em direção às barcas, com exatos 10 minutos para não perder a barca das 16h e ter que esperar 20 minutos até sair outra. É quando começa o jogo.
O semáforo mais movimentado do trajeto em vias de ser aberto, basta correr um pouco que consigo atravessar de boa. Mas uma multidão se aglomera na minha frente e funcionários da Light instalam uma escada próximo ao poste. Por questão de segundos, a porra do sinal abre e eu não consigo atravessar. Aqueles 2 minutos até fechar de novo parecem 20, mas vá lá, tento pensar coletivamente. E finalmente abre de novo, saio em passo mais acelerado que todo mundo, mas outra multidão atravessa vindo de encontro a mim, que tento driblar a manada sem sucesso, sendo obrigado a diminuir o ritmo.
Ah, agora beleza, é só essa ruazinha estreita que quase nunca passa carro. Com exceção de hoje... E na calçada entre dribles de corpo nas pessoas e placas de vereadores, faço questão de sempre esbarrar nas placas. Mas não contava com os velhos que andam em ritmo barricheliano. E nas pessoas que parecem que são desligadas da tomada quando estão na minha frente: todos andando pra frente e o puto pára DO NADA na minha frente e congela a imagem. O esbarrão é inevitável. O problema é que a cena se repete mais 3x e começo a estranhar que há uma conspiração para que eu perca a barca.
Daí tudo fica pior. Pessoas vindo em minha direção não fazem o mínimo esforço para desviar de mim; funcionários das mais diversas empresas de pesquisa de opinião me abordam para um rápido questionário que não vai tomar nem 2 minutos do meu tempo. Mas eu só tenho mais 3 até chegar lá.
Até consigo chegar 1 minuto antes, e ao passar pela roleta, constato que faltaram 10 centavos no riocard. E lá vou eu recarregar essa merda. Ao me dirigir ao guichê, misteriosamente 3 pessoas tomam minha frente na fila. E quando chega a minha vez de recarregar o riocard a voz amaldiçoada das barcas anuncia que as roletas foram travadas para minha segurança (para minha não, para a SUA segurança, pra evitar que eu entre nessa merda e saia espancando todo mundo) e a próxima embarcação sairá em 20 minutos.
Já no interior da estação, sento e me concentro num ponto fixo. E desligo.
(E no universo paralelo, meu controlador me põe em stand by. Agradece aos controladores dos velhinhos, das pessoas pausadas na rua, dos operadores de trânsito e riocard, dos motoristas, dos pesquisadores e demais pessoas envolvidas. Se levanta do controle e vai tomar um cafézinho para na volta passar o controle de mim a outro e ir descansar. Ou voltar ao menu e escolher um controlado que tenha "vida" mais divertida que a minha.)
Desdevaneios
sábado, 6 de outubro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
A função dos animais
Sempre aprendi no colégio que cada animalzinho tem a sua função dentro da cadeia alimentar. E que qualquer alteração numa dada população geraria um desequilíbrio na biomassa, na relação predatória, etc. Mas basta chegar o calor e sua praga de estimação, cupins voadores (bichinhos de luz), que me dá uma certeza no coração que me ensinaram errado. Essa merda é um erro da natureza. A única função é estressar humanos. Certamente se ele fosse extinto, seus predadores teriam outras opções no cardápio. Não seria o fim do mundo, mas um lugar melhor sem eles.
O mesmo vale para mosquitos com tesão patológico em ouvidos. Se ele só me perturbasse e chupasse meu sangue pela perna vez ou outra, tudo bem. Mas investir pesado em alto-falantes (alguns devem ser a versão 'carros que tocam funk' do reino animal) pra me ensurdecer durante a noite enquanto se deleita passeando sob meus ouvidos, é foda. E ainda faz eu ter espasmos pra me livrar daquele barulho maldito.
E o que dizer dos pombos?? Apenas que meu sonho é criar um cativeiro deles. Arrancar as asas e patas, e alimentá-los com chumbinho até ver eles explodirem em merda.
Então depois de muita reflexão sobre aquilo que me ensinaram no colégio, chego a conclusão que animal só serve pra ser domesticado, comido ou me divertir no circo...
É quando aparece algum "vegetariano por compaixão" (o que é vegetariano não por detestar carne, mas por ter pena dos bichinhos que são mortos) defendendo as vacas, bois, porcos. Ter pena de gato, cachorro, macaco, pássaro, ainda vá lá. Bichinhos fofinhos, que o humano tem um certo apreço carinhoso. Já os outros são animais cruéis, sórdidos e muito saborosos. E não merecem defesa.
Assim como os touros. O maior problema dos rodeios, e o que realmente deve ser combatido, é a música. Os maus tratos aos animais envolvidos devem ser segundo plano.
Já eu, sou favorável a rodeios. Tão favorável que acho que deveria ser um esporte olímpico (já que hipismo também é). Mas pra ficar mais animado para todos os animais fofinhos envolvidos, deveriam variar um pouco os participantes. Imagino um humanozinho tentando domar um dragão de komodo, uma anaconda.
Aí sim, nesse tipo de rodeio, até sertanejo universitário seria divertido!
O mesmo vale para mosquitos com tesão patológico em ouvidos. Se ele só me perturbasse e chupasse meu sangue pela perna vez ou outra, tudo bem. Mas investir pesado em alto-falantes (alguns devem ser a versão 'carros que tocam funk' do reino animal) pra me ensurdecer durante a noite enquanto se deleita passeando sob meus ouvidos, é foda. E ainda faz eu ter espasmos pra me livrar daquele barulho maldito.
E o que dizer dos pombos?? Apenas que meu sonho é criar um cativeiro deles. Arrancar as asas e patas, e alimentá-los com chumbinho até ver eles explodirem em merda.
Então depois de muita reflexão sobre aquilo que me ensinaram no colégio, chego a conclusão que animal só serve pra ser domesticado, comido ou me divertir no circo...
É quando aparece algum "vegetariano por compaixão" (o que é vegetariano não por detestar carne, mas por ter pena dos bichinhos que são mortos) defendendo as vacas, bois, porcos. Ter pena de gato, cachorro, macaco, pássaro, ainda vá lá. Bichinhos fofinhos, que o humano tem um certo apreço carinhoso. Já os outros são animais cruéis, sórdidos e muito saborosos. E não merecem defesa.
Assim como os touros. O maior problema dos rodeios, e o que realmente deve ser combatido, é a música. Os maus tratos aos animais envolvidos devem ser segundo plano.
Já eu, sou favorável a rodeios. Tão favorável que acho que deveria ser um esporte olímpico (já que hipismo também é). Mas pra ficar mais animado para todos os animais fofinhos envolvidos, deveriam variar um pouco os participantes. Imagino um humanozinho tentando domar um dragão de komodo, uma anaconda.
Aí sim, nesse tipo de rodeio, até sertanejo universitário seria divertido!
terça-feira, 4 de setembro de 2012
A revolução sangrenta das máquinas
Era o dia do meu aniversário. Dia de receber várias parabenizações (?) por um aninho a menos de vida. Acordo, abro meu e-mail e recebo mensagens de felicitações, esperança e exaltação à vida. Só que do hotmail e algumas outras empresas virtuais. Chego na academia e ao passar pela roleta de identificação, o computador que registra a matrícula pisca alegre e freneticamente me desejando felicidades. Um pouco após, ao passar no banco, o caixa automático, antes mesmo de me oferecer um seguro qualquer contra ataques de mariposas carnívoras selvagens, me parabeniza pela data e diz que é um orgulho para o banco me ter entre seus clientes (quando na maioria das vezes eles é que metem entre meus orifícios financeiros). Só então, depois de aproximadamente umas 6h depois de acordado é que algum humano vem falar comigo me desejando algo que não lembro mais o que era. Mas com certeza, algo mais real...
Já outro dia, ao ligar pra alguma empresa de celular, me deparo com o novo sistema "inteligente" de atendimento, onde aparentemente uma gravação robótica "conversa" comigo bem informalmente enquanto procura algum jeito de não resolver meu problema.
O que me leva ao natal do ano passado, onde entrei numa lojinha de brinquedos vendendo seus tradicionais e malditos papais-nóeis cantando jingle bell como se não houvesse amanhã (e como se amanhã ele, que ficou como ponta de estoque na loja, não fosse fazer bico de coelhinho da páscoa). Mas o que me causou PÂNICO foi me deparar com papais-nóeis animatrônicos da classe mais abastada. O filha da puta, além de várias funcionalidades, era mais alto do que eu.
Ou seja, já tá tudo esquematizado. Quando a skynet for ativada, os caixas automáticos irão financiar os armamentos, as gravações dos atendimentos das empresas de celular vão tratar da logística e esses papais-nóeis de 1,90m vão sair matando todo mundo.
E o pior. Não teremos mais Arnold Schwajahdjhsoidbvopshf negger para nos defender.
Já outro dia, ao ligar pra alguma empresa de celular, me deparo com o novo sistema "inteligente" de atendimento, onde aparentemente uma gravação robótica "conversa" comigo bem informalmente enquanto procura algum jeito de não resolver meu problema.
O que me leva ao natal do ano passado, onde entrei numa lojinha de brinquedos vendendo seus tradicionais e malditos papais-nóeis cantando jingle bell como se não houvesse amanhã (e como se amanhã ele, que ficou como ponta de estoque na loja, não fosse fazer bico de coelhinho da páscoa). Mas o que me causou PÂNICO foi me deparar com papais-nóeis animatrônicos da classe mais abastada. O filha da puta, além de várias funcionalidades, era mais alto do que eu.
Ou seja, já tá tudo esquematizado. Quando a skynet for ativada, os caixas automáticos irão financiar os armamentos, as gravações dos atendimentos das empresas de celular vão tratar da logística e esses papais-nóeis de 1,90m vão sair matando todo mundo.
E o pior. Não teremos mais Arnold Schwajahdjhsoidbvopshf negger para nos defender.
domingo, 2 de setembro de 2012
Bullying Gastronômico
É recorrente em todas as vezes que estou em uma cafeteria e peço um desses cafés espressos com sorvete, avelã, nutella... mas sem o diabo do chantilly. É quando começa a discórdia. O próximo minuto é inteiramente dedicado a praticamente pedir desculpa ao atendente e revelar algo que nem os maias previram: existem pessoas que não gostam de chantilly.
Outra situação é quando estou em qualquer rede de fast-food...
Auto-correção: rede de fast-food só, e apenas somente, Mc Donald's (desde que não seja em dezembro no shopping). Qualquer outra rede é só food.
... e peço algum hambúrguer sem aquela horta que eles botam entre o principal: o pão, a carne e o queijo. Acontece até do atendente me olhar com expressão à lá "contatos imediatos de terceiro grau" e ainda perguntar: UÉ, mas só pão, carne/frango e queijo?? Me falta coragem, mas me dá uma puta vontade de responder: não, bota também mussarela de búfala, peito de peru defumado, ovo de avestruz, língua de ornitorrinco e uma pitada de pó de pirlimpimpim.
Mas além de uma frescurite alimentar aguda, o que me acomete é resistir e lutar contra a ditadura escravocrata-digestiva. É sacanagem obrigar meu organismo a digerir alimentos que, em absoluto, têm gosto de nada com porra nenhuma. Gergelim, champignon, chuchu, alface. Tanto é que esses alimentos NUNCA são servidos sozinhos. Sempre com algum tempero ou, pior, impregnado na comida de modo a ser impossível separar aquilo que terá uma contrapartida saborosa, daquilo que você vai digerir sem propósito algum (caso do gergelim).
Portanto, na próxima vez que lhe oferecerem qualquer coisa a base de soja, coloque-se no lugar do seu esôfago e veja se é justo isso. Se você aceitaria trabalhar por notas promissórias do jogo da vida.
Outra situação é quando estou em qualquer rede de fast-food...
Auto-correção: rede de fast-food só, e apenas somente, Mc Donald's (desde que não seja em dezembro no shopping). Qualquer outra rede é só food.
... e peço algum hambúrguer sem aquela horta que eles botam entre o principal: o pão, a carne e o queijo. Acontece até do atendente me olhar com expressão à lá "contatos imediatos de terceiro grau" e ainda perguntar: UÉ, mas só pão, carne/frango e queijo?? Me falta coragem, mas me dá uma puta vontade de responder: não, bota também mussarela de búfala, peito de peru defumado, ovo de avestruz, língua de ornitorrinco e uma pitada de pó de pirlimpimpim.
Mas além de uma frescurite alimentar aguda, o que me acomete é resistir e lutar contra a ditadura escravocrata-digestiva. É sacanagem obrigar meu organismo a digerir alimentos que, em absoluto, têm gosto de nada com porra nenhuma. Gergelim, champignon, chuchu, alface. Tanto é que esses alimentos NUNCA são servidos sozinhos. Sempre com algum tempero ou, pior, impregnado na comida de modo a ser impossível separar aquilo que terá uma contrapartida saborosa, daquilo que você vai digerir sem propósito algum (caso do gergelim).
Portanto, na próxima vez que lhe oferecerem qualquer coisa a base de soja, coloque-se no lugar do seu esôfago e veja se é justo isso. Se você aceitaria trabalhar por notas promissórias do jogo da vida.
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